M. M.

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Às vezes eu olho pra cima e me enxergo muito pequena. Tudo que é importante por aqui parece uma grande brincadeira de faz de conta. Os homens se vestem todas as manhãs com ternos acizentados que poderiam alimentar um país. Eles se pintam altos como arranha-céus e dizem que você deve se levantar e ser alguém. Pois eu digo que quero apenas ser.

outro mundo

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Em fevereiro eu fiz meu caminho até Marrocos, um lugar que agora soa como um mundo à parte. As mulheres com expressões escondidas debaixo de lenços ornamentados e os homens se curvando em céu aberto para fazer as suas preces são agora personagens de uma vida que eu protagonizei certa vez.

Eu queria ter escrito esse texto quando a minha aventura em Marrocos & Portugal ainda estava vívida na minha memória. Hoje, um dia após meu aniversário de 20 anos ou três meses após a viagem, as coisas já parecem embaçadas e os detalhes perdidos. Então eu deixo a minha história para a sua imaginação.

Ultimamente eu tenho sentido que um descanso nessa montanha-russa de decisões é necessário. Às vezes é como se eu tivesse perdido a fase de ser imprudente como outros adolescentes. Mas, lá no fundo, eu sei que estou exatamente onde deveria. Parar no meio do caminho para decidir quem eu sou é decidir nunca sair do lugar. Especialmente para alguém tão propensa à mudanças como eu. Prefiro deixar o vento me levar.

Meu coração se enche de alegria ao pensar nos limites a serem cruzados esse ano. Logo eu voarei para a África do Sul como voluntária e essa será a primeira viagem internacional que faço sem a minha família. Eu ainda não decidi qual programa participar. Proteção da vida selvagem ou surf & aventura com crianças carentes. Toda forma de vida é importante e precisa de cuidado e atenção.

Algumas das pessoas que eu mais admiro no mundo são as mais corajosas. Elas não são necessariamente as melhores da profissão ou que ganharam o maior número de prêmios, mas elas foram destemidas pra buscar aquilo que as faz vibrar. É isso que eu mais valorizo. Eu espero que um dia, se uma grande mudança se fizer necessária na minha vida, eu tenha ao menos metade da coragem das minhas heroínas. Eu espero nunca me acomodar.

Sempre me ajuda a esclarecer as coisas quando eu as escrevo. É como ter um animal selvagem preso num labirinto dentro do meu peito. Até que as palavras achem uma saída, o animal grunhe a plenos pulmões por liberdade. Para desvendar o enigma dos meus sentimentos, ele precisa encontrar um caminho para casa.

Mais do que te levar numa viagem através da tela, eu espero que essa publicação alimente a sua fome para buscar novos cenários.

 

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torta sonho de um dia de verão

 

crosta:
1 xícara de castanha de caju
10 tâmaras
pitada de sal

misture os ingredientes com um processador. coloque a mistura numa bandeja e pressione firmemente com os dedos até que esteja igualmente distribuído pela fôrma. coloque no congelador.

recheio:
1 manga
3-6 rodelas de abacaxi
3 colheres de sopa de coco ralado sem açúcar

misture os ingredientes no processador ou liquidificador até que forme uma pasta. coloque o conteúdo por cima da crosta e distribua com um utensílio. coloque a bandeja no congelador durante a noite. coloque a torta num prato e deixe-a na geladeira ou em temperatura ambiente para descongelar um pouco antes de consumir.

bom apetite!

por pedro & marina menezes

pêssego & mel, um convite para criar

Por mais que eu adore a Torta dos Sonhos, tenho que admitir que as minhas receitas favoritas são as mais simples, aquelas que te dão mais espaço para criar e experimentar novas combinações.

Na complexidade de algumas receitas, você pode sentir ingredientes como castanhas, amêndoas e morangos formando um novo e único sabor. Não há espaço para cometer erros ou inventar novas medidas. Ao contrário de uma fórmula simples, onde amêndoas têm gosto de amêndoas e castanhas têm gosto de castanhas.

É por isso que hoje eu te convido a deixar a sua intuição correr solta. Talvez você decida trocar os pêssegos por maçãs. Ou mel por outro adoçante natural. Talvez você até adicione raspas de limão e lavanda. Nozes também fazem uma boa adição. De qualquer maneira, faça dessa receita, a sua própria.

 

seu pêssego & mel

2 colheres de sobremesa de iogurte grego

mel orgânico

pêssego

manteiga sem sal

 

Pré-aqueça o grill em temperatura alta.

Corte o pêssego na metade e remova o caroço.

Adicione dois cubos de manteiga no grill e espalhe.

Dê algumas pinceladas de mel até que as duas metades do pêssego estejam cobertas e coloque-as no grill.

Deixe grelhar com o lado do corte para baixo até que fique dourado e caramelizado.

Vire as metades e deixe grelhar até que esteja levemente macio e aquecido.

Retire do grill e acrescente mel & iogurte no lugar do caroço.

Bom apetite!

Couve-flor Assada e Quinoa Vermelha

Em um mundo onde outros se orgulham de suas vidas apressadas e calendários apertados, eu prefiro criar o meu próprio relógio. Hoje ele caminha em harmonia com o soar das panelas e aos passos ao redor da cozinha.

Tique-taque. A água está fervendo. A quinoa está saltando. A couve-flor está no forno, que balança a assadeira devagar, como que para me lembrar. Eu despejo o restante da couve-flor para cozinhar. É hora de preparar o tempero! A cebola está sob a água, só pra não chorar, até que me ponho a picar. Abro o forno só pra checar. Não está pronto, então volto a preparar. Cebola, salsa e azeite para misturar. Uma pitada de sal na quinoa e outra na flor. Pronto! Hora de retirar. A couve-flor pára de assar e vai para temperar. O relógio pára de rodar. Hora de saborear!

Eu prometo parar de ser negligente com esse espaço que cresceu para ser tão especial para mim. Logo ele estará coberto com receitas deliciosas e saudáveis. Estou ansiosa para compartilhar a minha “cozinha” com você toda semana.

 

Couve-flor Assada e Quinoa Vermelha

para a couve-flor assada

2 colheres de sopa de azeite de oliva

1 couve-flor grande

sal à gosto

pimenta do reino moída à gosto

para o tempero

1/4 xícara de salsa picada

1 colher de sopa de cebola picada

2 colheres de sopa de azeite de oliva

1/2 colher de chá de sal

 

Pré-aqueça o forno a 230°C.

Apare a base da couve-flor, deixando o tronco intacto. Remova todas as folhas. Usando uma faca longa e afiada, corte a couve-flor em fatias grossas de 1,5cm.

Regue uma assadeira com o azeite de oliva. Coloque as fatias de couve-flor no azeite e vire para cobrir. Polvilhe cada lado com sal e pimenta.

Asse por 20 minutos. Use uma espátula grande para virar a couve-flor, e depois assar por mais 10-15 minutos ou até que a couve-flor esteja macia e as bordas douradas.

Enquanto isso, prepare o tempero, utilizando uma colher para misturar todos os ingredientes em uma tigela pequena.

Misture a couve-flor quente com o tempero e sirva. Esse é um excelente acompanhamento ou almoço leve. Adicione um pouco de queijo de cabra ou pão para servir como um bom prato principal. *Eu escolhi acrescentar a quinoa para o almoço.

 

Texto

Há um tempo atrás eu abandonei o meu amor por palavras escritas. Os meus textos eram transformados numa avalanche de palavras apenas para preencher um certo número de linhas. Então, os meus dizeres vazios sobre o papel eram substituídos por folhas em branco. Um reflexo de mim quando perdida naquele momento.

Escrever é como construir uma realidade surrealista. Um pedaço de papel e uma caneta formam uma passagem para ir além. Isso se deixarmos as nossas mãos fluírem ao ritmo de nossas mentes inquietas. Isso se não permitirmos que outros definam o tema daquilo que acelera a batida de nossos corações. Isso se não roubarem as nossas identidades ao nos dar a incumbência de escrever sobre o que está longe de nós e de nossa essência. Isso se não permitirmos que cortem as nossas asas.

Para mim, a arte da escrita é uma das mais belas. A sutileza da tinta que passeia sobre o papel assim como as lágrimas no rosto daqueles que registram a mais honesta das memórias ou personificam os mais fortes personagens. Um simples ato destinado a trazer esperança até aos seres mais miseráveis. É o que te faz enxergar a beleza do mundo, seja esse ou qualquer outro que exista apenas nas linhas do seu caderno.

planos para a sessão fotográfica

na luz de velas

Marina, aquela que vem do mar

A vida tem sido gentil para mim. Isso é tudo que me passa pela cabeça enquanto no barco com a brisa acariciando meu rosto. Eu pouso em meu ombro e observo uma parte de mim plantada em cada paisagem atravessada.

Nas margens do Rio Negro, fomos recebidos por casas coloridas como aquelas ilustradas em livros infantis. Elas flutuam sobre o rio e são cercadas por plataformas de madeira que abrigam sorrisos daqueles que sempre mergulham de cabeça e que vivem como se todos os dias fossem dias de Sol. Apesar de suas poucas posses, eles são mais ricos do que muitos que cruzaram o meu caminho.

Ao atravessar a ponte para ver as vitórias-régias, nos deparamos com uma feliz família de micos. Eles saltavam nas árvores próximas às pequenas cabanas. O brilho nos seus olhos era fugaz assim como quando atiravam-se às mãos dos turistas em busca de alimento. Como em uma pintura, o laranja de seus pêlos eram iluminados pelos feixes de luzes que contornavam as folhas das árvores.

Escrever sempre me parece uma difícil tarefa quando presa na repetição dos dias. Me acho afogando nas minhas próprias lágrimas por não me saber capaz. Até que compreendo que só no mar me sinto viva. Só lá eu posso me deixar levar com o vaivém das ondas, libertar os meus sentimentos e encontrar a vontade de me pôr para fora mais uma vez. Sorte minha que há mar em tanto lugar. Sorte minha que a minha casa é o mar.

A Sobremesa

Essa semana eu fiz a receita de Tâmaras com Creme de Chocolate e Amêndoas do site 101 Cookbooks. Mas, como em todas as receitas do Cozinha da Mari, algumas mudanças foram feitas de acordo com o nosso gosto (eu fiz para minha mãe!).

Na receita original o creme do chocolate fica aparentemente mais cremoso, enquanto a minha, com uma caixa de creme de leite leve e 3/4 de uma xícara de chocolate meio amargo, adquiriu uma consistência parecida com uma gota de pudim. Como não temos o heavy whipping cream aqui no Brasil, você também pode substituir por 3/4 da medida de creme de leite fresco (nata) e 1/4 de leite dependendo da consistência que você desejar.

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48 tâmaras

1/4 xícara creme de leite fresco (heavy whipping cream)

1/2 xícara de chocolate meio amargo picado bem fino

48 amêndoas

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Corte um dos lados das tâmaras de cima para baixo para expor o espaço que abrigava os caroços.

Leve o creme de leite para ferver em uma panela pequena. Remova do fogo. Adicione o chocolate picado e deixe descansar por 5 minutos. Misture o chocolate com o creme até que fique homogêneo. Deixe descansar em temperatura ambiente até engrossar um pouco, cerca de 10 minutos.

Use uma colher de chá para preencher os espaços das tâmaras com o chocolate. Coloque as amêndoas em cima do chocolate.

Leve as tâmaras à geladeira. Antes de servir deixe-as em temperatura ambiente para acentuar o sabor do chocolate.

Mãe Terra

Uma menina dançando nas montanhas.

Essa é a memória preferida de Ema, embora ela não estivesse acordada quando aconteceu. Ainda assim, o rio serpenteado entre as árvores é claro para ela tanto quanto o beijo do Sol nas flores da estação. Lírios, orquídeas e margaridas resplandecentes por todo canto. Era uma manhã silenciosa de outono, onde só era possível ouvir as folhas deixando as árvores já sem cores e o distante piar dos pássaros.

No jardim, Ema aproximava as mãos fazendo uma concha na fonte de águas sagradas. No último enxágue, ela corria os dedos nos potes de mel banhando seu rosto com o perfume das abelhas. Ao pousar no banco, sentia a textura das folhas que roçavam em seus ombros nus, enquanto retirava uma planta do vaso para replantá-la no solo, terra sob seus dedos, calor em seu coração.

Mais tarde, as cortinas transparentes do bangalô prestavam as boas vindas a luz que adentrava suas janelas como quem faz um convite para deixar a casa. Ema, com sua trança dançando na altura dos quadris e um sorriso em seus lábios, aceitava o convite prontamente. Seu vestido cor de céu beirava o chão enquanto ela caminhava até as montanhas. Ao alcançar o topo, sempre enxergava todo o mundo por lentes doces como alcaçuz e, sem perceber, dançava com a música dos pássaros, grata com a visão do Sol que brilhava no topo de sua cabeça, do rio que se apressava até a cascata, do suave vento das árvores e pelo mel das abelhas. Enquanto se movia, sua sombra era projetada no chão, então ela entendeu: a menina dançando era ela, imersa na beleza de seu entorno, incrédula de sua feliz realidade.

A Torta dos Sonhos

Caso você ainda não tenha visto, o quarto vídeo da Cozinha da Mari. Produzido por mim e pelo Pedro Menezes.

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Bariloche

estou no apartamento alugado em niterói, que se encontra surpreendentemente quieto e calmo. o relógio marca quase três e meia da tarde. tudo que consigo ouvir é um ruído de britadeira da obra no final da rua e alguns gritos de crianças que soam tão distantes que mal consigo determinar de onde vêm. enquanto o ponteiro do relógio caminha apressado, as buzinas ficam mais frequentes e os caminhões, que antes não se faziam presentes, fazem tanto barulho que dão a impressão de estarem passando aqui dentro de casa. começo a sentir falta da etérea paz do nosso pequeno cômodo em bariloche.

eu tento vagarosamente recordar o que passamos em solo argentino algumas semanas atrás. essas memórias foram absorvidas e parecem tatuagens em minha pele, como se fizessem parte de mim e de quem eu sou. somos a soma de nossas experiências afinal de contas.

chegamos no aeroporto da conexão após o pôr do sol e já nos apressamos para vestir as três camadas de roupa que se faziam necessárias. eu me aventurei a acompanhar meu irmão a fotografar do lado de fora. ainda posso sentir o frio doloroso de buenos aires nos meus ossos. mas nada nos impediria de capturar vida.

estou sempre cheia de energia quando longe do lar (e da rotina), que estava ávida para registrar tudo que se apresentasse na minha frente. minha câmera mal saía do pescoço e eu me sentia mais viva do que nunca. da minha família e dos desconhecidos do aeroporto em situações incomuns até os cães abandonados com olhares reluzentes como a lua. nada passava despercebido.

podemos ver a neve e as pessoas esquiando debaixo de nossos pés enquanto subimos as montanhas nos teleféricos de dois lugares. quanto mais alto subimos, mais beleza avistamos na altura de nossos olhos esfomeados. meu corpo está imóvel, tamanho o nervosismo de estar tão distante do chão, mas eu não escolheria isso de nenhuma outra forma.

agora que nossos pés estão firmemente plantados na neve que brilha como cristal sob a luz do sol, podemos finalmente protagonizar as cenas que antes só existiam em filmes. as crianças tem suas bochechas rosadas e escorregam incessantemente, até se cansarem e se porem a construir bonecos de neve. nós bebemos chocolate quente com o sabor do melhor chocolate do mundo, enquanto assistimos ao espetáculo não-ensaiado de ski e snowboard. não posso evitar o reconhecimento do tamanho do mundo que abriga tanta beleza e só aguarda para ser descoberto. um passo de cada vez.

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Amor, Marina

Logo pousaremos sobre o chão gelado de Bariloche na Argentina. Minha ansiedade ao sobrevoar as nuvens por tantas horas começa a amenizar na medida que nos aproximamos da terra firme. Por sorte, esse é apenas o começo da nossa aventura, então eu descanso os meus olhos, faço uma longa, profunda respiração e me concentro na beleza que o futuro nos reserva. Esperançosamente essas viagens ficarão mais frequentes e eu não posso deixar que os meus medos sejam maiores que os meus sonhos.

Ter todas as minhas posses numa só mala seria o mais próximo que eu poderia chamar de céu. Antes mesmo de chegar no lugar que estou prestes a conhecer, já sinto o gosto da saudade, do desejo latente de continuar vivendo, descobrindo e viajando.

Eu aceno adeus ao Sol escaldante dessa cidade e aguardo as boas vindas dos dias frios, cobertos de neve e regados a chocolate quente de San Carlos de Bariloche. Mal posso esperar para colecionar novas e encantadoras memórias e compartilhar com vocês.

Amor,

Marina