Tempo para Curar

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Eu assisti ao meu sorriso desbotar gradativamente nos últimos tempos. A tristeza tem uma forma de suprimir toda a felicidade tal qual a neblina oculta as montanhas. De repente as folhas das árvores desbotam e a minha vontade de criar desaparece com o vento. Tudo começa a colapsar como numa sequência de dominós. Esse sentimento se faz confortável por muitas luas e eu tenho a impressão de que não verei seu fim. Eu digo para mim mesma repetidas vezes: “Isso vai passar e você nem se lembrará do que te levou a ficar assim!”, só metade acreditando. Felizmente, o clarear de um novo dia nunca me falha.

A minha mente precisa de descanso. Eu tento preencher cada respiro da minha vida com tarefas por medo de me sentir insuficiente no final do dia. Mas como eu posso transmitir bons sentimentos para os outros se eu negligencio o meu próprio bem-estar? A sobrecarga de emoções é como uma bola de neve no desfiladeiro; só ficará maior e mais difícil de ser contida.

Às vezes tudo que eu preciso é de tempo para curar. Se a minha visão está distorcida, uso esse tempo para me achar na imensidão das belezas sutis da vida. Pode ser a folha sempre tão verde que a formiga carrega para o seu lar; a borboleta que bate suas asas e me deixa com uma fotografia na memória; o sorriso de um estranho; ou palavras doces de alguém que não está mais na minha vida, mas que ainda me deixa feliz só de pensar sobre isso.

Eu sento e observo os pensamentos indo e vindo na minha cabeça. As distrações exteriores são interrompidas enquanto meus olhos descansam. O espaço dentro de mim começa a se expandir e uma luz vaza por todo o meu corpo. Me sinto como um vaga-lume. Agora posso brilhar para mim e para os outros.